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Posts Tagged ‘woody allen’

Continuando, vamos ver agora os diretores e roteiristas.

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MELHOR DIRETOR:

– Michel Hazanavicius (O Artista)

– Alexander Payne (Os Descendentes)

– Martin Scorsese (Hugo)

– Woody Allen (Meia-Noite em Paris)

– Terrence Malick (A Árvore da Vida)

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Ano passado aconteceu algo interessante nessa categoria: quatro diretores já bem conceituados e conhecidos (David Fincher, Darren Aronofski, David O. Russell e os irmãos Coen) enfrentavam um novato em Hollywood, ainda que veterano em seu país natal, a Inglaterra (Tom Hooper). Resultado: ganhou o novato. Esse ano a mesma coisa pode se repetir. Quatro veteranos e consagrados diretores (Martin Scorsese, Woody Allen, Terrence Malick e Alexander Payne) enfrentam um novato em Hollywood, ainda que veterano em sua terra natal, a França (Michel Hazanavicius). E o “novato” tem grandes chances de levar novamente. O francês foi corajoso ao investir em um filme difícil (mudo, preto-e-branco, ambientado nos anos 20, com cenas musicais) e vem se dando muito bem – e não será surpreendente se sua direção também for premiada. Ainda assim, acho que Scorsese merece mais, por dar uma aula de cinema e de como se deve usar o 3D em “Hugo”. Aliás, quem não viu o filme no cinema não sabe o que está perdendo – nunca o 3D funcionou tão bem pra colocar o público dentro do filme. Payne corre por fora e tem chances principalmente se a Academia decidir premiar “Os Descendentes” como melhor filme – pouco provável, mas não impossível. Já Malick vai se contentar com a indicação por sua pretensão (e se sentir estimulado a trabalhar mais, já que ele fez apenas 4 filmes em mais de vinte anos mas parece que agora já tem 2 filmes engatilhados pros próximos dois anos) e Allen deve levar o prêmio de roteiro.

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MELHOR ROTEIRO ADAPTADO

Os Descendentes – Alexander Payne, Nat Faxon e Jim Rash

Hugo – John Logan

Tudo pelo Poder (The Ides of March) – George Clooney, Grant Heslov e Beau Willimon

Moneyball – Steven Zaillian, Aaron Sorkin e Stan Chervin

O Espião que Sabia Demais (Tinker Tailor Soldier Spy) – Bridget O’Connor e Peter Straughan

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Aaron Sorkin, criador da melhor série de TV de todos os tempos (“The West Wing”), pode realizar o feito de ganhar o Oscar de roteiro adaptado dois anos seguidos – levou o prêmio ano passado por “A Rede Social” e pode ganhar de novo esse ano pela adaptação que fez do antes considerado infilmável “Moneyball”. Teve para isso a ajuda de Steven Zaillian, outro veterano e também ex-ganhador do Oscar (“Traffic”, “Syriana”). Mas eles enfrentam um páreo duro, já que é muito provável que a Academia decida dar um prêmio de consolação para “Os Descendentes” (cuja adaptação foi feita, dentre outros, pelo ator que faz o diretor da faculdade da série “Community”) e escolham essa categoria para isso. Correm por fora, todos com chances: “Hugo”, do dramaturgo John Logan (que escreveu a peça “Red”, ganhadora do Tony e que estreia no Brasil no segundo semestre); “Tudo pelo Poder”, adaptação de uma peça da Broadway; e o difícil e complexo “O Espião Que Sabia Demais”, adaptado do livro de John Le Carré.

Faltou aqui a ótima adaptação de “Drive”, que melhorou o livro já bacana de James Sallis e o transformou no melhor filme do ano.

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MELHOR ROTEIRO ORIGINAL

O Artista – Michel Hazanavicius

Missão: Madrinha de Casamento (Bridesmaids) – Annie Mumolo e Kristen Wiig

Margin Call – O Dia Antes do Fim – J.C. Chandor

Midnight in Paris – Woody Allen

A Separação (A Separation) – Asghar Farhadi

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Essa é uma das categorias mais difíceis do Oscar, porque todos os filmes merecem o prêmio. Menos “O Artista”, talvez, que tem uma história bem simplória e previsível. Mas os outros quatro são fortíssimos candidatos – e isso porque ficaram de fora roteiros incríveis como “Young Adult” (da ganhadora do Oscar por “Juno” Diablo Cody), “50%” (baseado na história real vivida pelo próprio autor e pelo ator Seth Rogen) e “Vencer ou Vencer” (filme estrelado por Paul Giamatti).

Seria bem legal se “Margin Call”, um dos melhores filmes do ano, levasse o único prêmio ao qual foi indicado. Também seria bacana se a irreverência de “Bridesmaids” ou a crueza e verdade de “A Separação” fossem reconhecidas. Mas deve levar mesmo, e merecidamente, o mestre Woody Allen.

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A premiação conferida pelos críticos estrangeiros (o Globo de Ouro, cuja cerimônia acontece neste domingo, dia 15) é mais famosa, mas os críticos americanos costumam se aproximar mais do Oscar que seus colegas gringos. Por isso, é importante conferir quem ganhou e quem perdeu no Critics´ Choice Awards.

O grande vencedor da noite foi “O Artista” (ainda inédito no Brasil), a homenagem ao cinema mudo e aos astros daquela época realizada por um cineasta e protagonistas franceses, mas falado em inglês (nas poucas falas, já que a maior parte do filme é realmente muda) e produzido nos EUA. O filme levou o prêmio principal, além de direção (Michael Hazanavicius) e dois prêmios técnicos.

O outro destaque foi “Histórias Cruzadas” (que também não estreou por aqui), o belo filme que conta a história de uma jovem branca (Emma Stone) que ajuda as empregadas negras a contarem suas histórias sofridas (e às vezes engraçadas) no Sul dos EUA nos anos 60 – levou os dois prêmios femininos da noite (melhor atriz para Viola Davis e coadjuvante para Octavia Spencer), além de melhor elenco (que inclui ainda Jessica Chastain, Bryce Dallas Howard e outros).

Entre os homens, George Clooney e Christopher Plummer confirmaram o favoritismo e levaram os prêmios de ator principal e coadjuvante, respectivamente por “Os Descendentes” e “Toda Forma de Amor”. Ambos ainda devem levar muitos prêmios nesta temporada. Lembro que o primeiro filme estréia no Brasil no fim do mês, enquanto o segundo está disponível em DVD.

Já nas categorias de roteiro, Aaron Sorkin (“The West Wing”) confirmou o grande momento que vive em sua carreira ao ganhar o prêmio de roteiro adaptado pelo segundo ano consecutivo – ano passado levou por “A Rede Social”, este ano por “O Homem Que Mudou o Jogo” (dividido com Steve Zaillian e Stan Chervin). Woody Allen ficou com o de roteiro original pelo ótimo “Meia-Noite em Paris”.

Dois prêmios especiais foram concedidos pelos críticos americanos, um para Sean Penn, por seus esforços humanitários no Haiti, e outro para Martin Scorsese, por combinar como ninguém filme e música.

Segue abaixo a lista com todos os ganhadores (para ver todos os indicados, clique aqui).

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Melhor Filme: O Artista (The Artist)

Melhor Ator: George Clooney, Os Descendentes (The Descendants)

Melhor Atriz: Viola Davis, Histórias Cruzadas (The Help)

Melhor Ator Coadjuvante: Christopher Plummer, Toda Forma de Amor (Beginners)

Melhor Atriz Coadjuvante: Octavia Spencer, Histórias Cruzadas

Melhor Ator/Atriz Jovem: Thomas Horn, Extremamente Alto e Incrívelmente Perto (Extremely Loud and Incredibly  Close)

Melhor Elenco: Histórias Cruzadas

Melhor Diretor: Michel Hazanavicius, O Artista

Melhor Roteiro Original : Meia-Noite em Paris (Midnight in Paris), Woody  Allen

Melhor Roteiro Adaptado: O Homem Que Mudou o Jogo (Moneyball), Aaron Sorkin, Steve Zaillian e Stan Chervin  (baseado no livro de Michael  Lewis)

Melhor Fotografia:  A Árvore da Vida (The Tree of Life) e Cavalo de Guerra (War  Horse)

Melhor Direção de Arte: Hugo

Melhor Montagem: Millenium – Os Homens Que Não Amavam as Mulheres (The Girl With the Dragon  Tattoo)

Melhor Figurino: O Artista

Melhor Maquiagem: Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2 (Harry Potter and the Deathly Hallows: Part  2)

Melhores Efeitos Visuais: Planeta dos Macados – A Origem (Rise of the Planet of the  Apes)

Melhor Som: Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2

Melhor Filme de Animação: Rango

Melhor Filme de Ação: Drive

Melhor Comédia: Missão Madrinha-de-Casamento (Bridesmaids)

Melhor Filme Estrangeiro: Uma Separação (A  Separation)

Melhor Documentário: George Harrison: Living in the Material  World

Melhor Canção: “Life’s a Happy Song,” Brett McKenzie, Os Muppets

Melhor Trilha Sonora: O Artista

Joel  Siegel Award: Sean Penn

Music + Film Award: Martin Scorsese

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Pra quem gostou do livro “Conversas com Woody Allen”, do Eric Lax, lançado há alguns anos por aqui pela Cosac Naify e atualmente em sua 3ª edição, e pra fãs de cinema em geral, um lançamento pra encher os olhos: “Conversas com Scorsese”, do Richard Schickel, chegou hoje às livrarias, fresquinho, recheado de bate-papos entre o autor e o cineasta desde o início da carreira até a produção mais recente dele, “Hugo Cabret”, que chega aos cinemas no fim do ano. Imperdível! (vale dizer que o melhor preço que achei foi na FNAC, R$ 71,20 – caro, mas vale a pena)

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Os trailers dos blockbusters do verão americano começam a aparecer. Pra começar, “Capitão América: o Primeiro Vingador”:

Notem o impressionante efeito à la Benjamin Button que faz Chris Evans ficar mirradinho no início do filme e o calibre do elenco de apoio (Tommy Lee Jones, Stanley Tucci, Dominic Cooper, Hugo Weaving e a bela Hailey Atwell – e olha que o Samuel L. Jackson nem aparece ainda).

 

A seguir, “Thor”:

Acompanhando o protagonista Chris Hemworth no filme dirigido por Kenneth Branagh estão ninguém menos que os ganhadores do Oscar Natalie Portman e Anthony Hopkins e a gracinha da Kat Dennings (“Nick & Norah, uma Noite de Amor e Música”) – e Samuel L. Jackson de novo.

 

Finalmente, o “Lanterna Verde”:

 

E aí, qual trailer é o mais legal? Qual dos filmes de super-heróis vocês mais querem ver? Eu particularmente to bem ansioso pelo do Lanterna, que sempre foi o meu herói preferido. Mas os outros filmes parecem bem promissores também. E ainda tem “X-Men First Class”.

 

Enquanto pensam, que tal irem pra um lado mais intelectual com o novo Woody Allen, dessa vez filmado em Paris?

Esse sim promete, não? E o elenco, nada mal, hein? Rachel McAdams, Owen Wilson, Marion Cotillard, Michael Sheen, Carla Bruni, e ainda tem a Kathy Bates e o Adrien Brody que não aparecem nesse trailer. É, acho que tô um pouquinho mais ansioso por “Midnight In Paris” que pelo “Lanterna Verde”. Mas só um pouquinho.

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Assisti hoje o filme mais recente de Woody Allen, “Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos”, e, como já havia lido e ouvido de outras pessoas, não se trata de um dos melhores do cineasta americano. Porém, um Woody Allen mediano é melhor que a obra-prima de muito diretor por aí, logo, vale a pena ver mesmo assim. De volta a Londres depois de passear pela Espanha (“Vicky Christina Barcelona”) e revisitar sua querida Nova York (“Tudo Pode Dar Certo”), Allen conta a história de uma família (pai, mãe, filha e genro) e adjacentes. O casal sessentão Alfie e Helena se separa – ele (Anthony Hopkins) quer se sentir mais jovem, começa a malhar e arruma uma namorada mais nova (Lucy Punch); ela (Gemma Jones) recorre a uma vidente pra superar a perda do marido. A filha deles (Naomi Watts) começa a trabalhar numa galeria (cujo dono é Antonio Banderas) e quer ter filhos, mas o marido (Josh Brolin) não quer – ele é escritor e não consegue terminar o último livro, até que encontra uma musa ao observar a vizinha (Freida Pinto) pela janela. Algumas coisas acontecem, recheadas com os sempre ótimos diálogos de Allen, e o final pode frustrar alguns, já que o filme termina exatamente no clímax de cada personagem – ou seja, não sabemos a conclusão da maioria dos dilemas. Mas não deixa de ser divertido.

“Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos”

(You Will Meet a Tall Dark Stranger, EUA/ING, 2010) – Dir.: Woody Allen – Com Anthony Hopkins, Gemma Jones, Josh Brolin, Naomi Watts, Antonio Banderas, Freida Pinto, Lucy Punch.

NOTA: 7,5

Aproveito pra colocar meu Top 5 de filmes do cineasta:

1) Manhattan

2) Match Point

3) Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (Annie Hall)

4) Todos Dizem Eu Te Amo (Everyone Says I Love You)

5) Dirigindo no Escuro (Hollywood Ending)

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Livros comprados:

– Frenesi Polissilábico (Nick Hornby)
– O Clube do Filme (David Gilmour)
– Nick & Norah – Uma Noite de Amor e Música (Rachel Cohn & David Levithan)
 

Livros lidos:

– Frenesi Polissilábico (Nick Hornby)
– Harry Potter and the Deathly Hallows (J.K.Rowling)
– Leite Derramado (Chico Buarque) – abandonado
– Os Homens que Não Amavam as Mulheres (Stieg Larsson) – não concluído
– O Clube do Filme (David Gilmour)
– Nick & Norah – Uma Noite de Amor e Música (Rachel Cohn & David Levithan)
 

DVDs comprados:

– Crimes e Pecados (Woody Allen)
– Memórias (Woody Allen)
– The Office UK – Série Completa
– Crepúsculo (Catherine Hardwicke)
– 007 Quantum of Solace (Marc Forster)
– Nick & Norah – Uma Noite de Amor e Música (Peter Solett)
– Hellboy 2 (Guillermo Del Toro)
– Matar ou Morrer (Fred Zinemann)
– Sindicato de Ladrões (Elia Kazan)

 

Filmes assistidos:

– Harry Potter e o Enigma do Príncipe (David Yates) – 2 vezes
– Nick & Norah – Uma Noite de Amor e Música (Peter Solett)
– Um Jogo de Vida ou Morte (Kenneth Branagh)
– Harry Potter e a Pedra Filosofal (Chris Columbus)
– Harry Potter e a Câmara Secreta (Chris Columbus)
– Harry Potter e o Prisioneiro de Azkhaban (Alfonso Cuarón)
– Harry Potter e o Cálice de Fogo (Mike Newell)
– Harry Potter e a Ordem da Fênix (David Yates)

 

Séries assistidas:

– Coupling UK – 1ª Temporada Completa

 

Sinto-me na obrigação de começar pelo livro que inspirou a minha volta ao blog, “Frenesi Polissilábico”, do inglês Nick Hornby. Como já disse na introdução, o livro é uma compilação das colunas literárias que ele escreveu para a revista “The Believer”– cada coluna dele não era sobre um livro específico, mas sim algo como eu estou tentando fazer aqui: comentários sobre os diversos livros lidos e/ou comprados no período (a coluna era normalmente mensal) e observações sobre a vida em geral (bastante futebol, no caso dele). Hornby, pra quem não conhece, é autor de grandes sucessos já adaptados para o cinema, como “Alta Fidelidade”, “Um Grande Garoto” e “Febre de Bola”, e outros que ainda existem somente em papel (“Como Ser Legal”, “Slam”e outros). Ele também escreve sobre música (se não me engano tinha uma coluna na Rolling Stone inglesa) e um outro livro dele, “39 Canções”, é uma compilação de textos sobre, obviamente, 39 das canções preferidas dele (foi esse livro, aliás, que me fez descobrir uma das bandas mais bacanas da história, a Teenage Fanclub). Enfim, os textos dele são tão bons que você se diverte mesmo não conhecendo os livros e autores de quem ele fala.

 

Uma coisa que deve ter chamado atenção nas listas acima é a overdose de Harry Potter. Fácil de explicar: antes de ver o filme novo no cinema, revi todos os DVDs anteriores (não o ideal, mas obviamente mais rápido que reler todos os livros). Até aqui o meu preferido ainda era o terceiro, “O Prisioneiro de Azkhaban”, mas nesta “revisão” eu gostei bastante do segundo, “A Câmara Secreta”(que antes era o que eu menos gostava), e principalmente do quinto, “A Ordem da Fênix”, que eu só tinha visto no cinema. Muito legal ver a evolução do elenco jovem e também como o clima vai se tornando cada vez mais sombrio a partir do terceiro filme, até chegar ao sexto, ainda em cartaz, e que pra mim é disparado o melhor da série (aliás, recomendo assistir o filme em salas com tecnologia 3D, já que os primeiros 13 minutos do filme foram rodados especialmente para estas salas, e o efeito é incrível). O diretor David Yates (veterano da TV inglesa que dirigiu o filme anterior e é também responsável pelos próximos) e o roteirista Steve Kloves (que escreveu os roteiros de todos os filmes da série, exceto “Fênix”) conseguiram harmonizar de forma admirável  as duas tendências da trama: de um lado, há os hormônios em ebulição dos adolescentes de Hogwarts (e dá-lhe flertes, climinhas, tensão sexual e ciúme por todos os lados); do outro, a tensão escalante que surge do reaparecimento de Lord Voldemort (embora ele mesmo não apareça, mas sim os seus asseclas, que fazem o diabo por Londres) e da conscientização de Harry de que cabe a ele combater o Mal, sob a orientação de seu mestre Dumbledore. Paralelamente a isso, acompanhamos a jornada de dois personagens que nunca tiveram tanto destaque quanto aqui: Draco Malfoy, escolhido por Voldemort para uma missão secreta dentro de Hogwarts, e Severus Snape, que segue cada vez mais ambíguo ao não revelar ao público se é um vilão disfarçado de mocinho ou o contrário. Ambos os personagens são valorizados por seus atores, já que Alan Rickman mais uma vez dá um show ao dar vida ao melhor personagem de toda a série (e que somente no sétimo livro revelará sua verdadeira face) e Tom Felton mostra ser o melhor dentre todos os jovens atores que começaram a série crianças e agora já são pós-adolescentes.

 

É claro que o filme não é tão bom quanto o livro. Faz tempo, aliás, que eu desisti de esperar fidelidade total de qualquer adaptação de livros (não só Harry Potter, mas qualquer livro). Afinal, cada filme nada mais é que a visão que o seu diretor e o seu roteirista tem de determinado livro, e não uma transposição exata do conteúdo deste. Além disso, é óbvio que não dá pra se colocar no filme tudo que está em um livro. Então qualquer pessoa que vá assistir uma adaptação esperando ver o seu livro preferido replicado nas telas exatamente como leu estará fadada à decepção. É por isso que um filme adaptado de um livro, pra ser devidamente apreciado, tem que ser encarado como uma obra completamente diferente da que o originou. E isso fica plenamente demonstrado em outra adaptação literária que eu assisti esses dias. O livro se chama “Como Perder Amigos e Alienar Pessoas”(How to Lose Friends and Alienate People), escrito pelo jornalista inglês Toby Young no início da década e lançado no Brasil há uns quatro anos. Conta de forma sarcástica e divertidíssima a jornada (real) dele no ano que passou em Nova York trabalhando como repórter de celebridades na badalada revista Vanity Fair. O detalhe é que em Londres ele era editor de uma revista que tirava sarro do mundinho VIP; então quando passa a fazer exatamente o oposto do que fazia ele acaba cometendo uma gafe atrás da outra e se metendo em várias confusões, até que finalmente toma jeito, pra no fim arruinar tudo novamente e ser execrado de volta para a Inglaterra.

 

Eu li este livro tempos atrás e até hoje é um dos meus preferidos. Da forma como foi escrito, parecia “infilmável”, como o próprio diretor do filme confessa no “making of” que vem como extra no DVD. Mas o fato é que um roteiro foi escrito e o filme foi feito. E quem for assisti-lo com o pensamento de que deve ser fidelíssimo ao livro certamente odiará o filme. Porém, se assistir tendo em mente que um livro é uma coisa e um filme é outra diferente, pode se divertir bastante. O título em português é bisonho: “Um Louco Apaixonado”(o livro foi lançado por aqui com a tradução literal do título original, mas algum gênio do marketing achou que o filme não “colaria” com o mesmo título – bem feito, porque com este nome genérico de Sessão da Tarde o filme passou batido nos cinemas). Tem um elenco de peso: o hilário Simon Pegg no papel principal, mais Kirsten Dunst, Jeff Bridges, Gillian Anderson e Megan Fox. E é uma agradável comédia quase-romântica com alguns clichês básicos e um senso de humor bastante sarcástico, tirando um certo sarro das celebridades hollywoodianas (não tanto quando o livro faz, mas já está valendo). Se fosse dar notas, daria cinco estrelas pro livro e três pro filme.

 

Ainda falando em adaptações, é a vez de “Nick & Norah – Uma Noite de Amor e Música”. Mais um filme que inexplicavelmente foi lançado diretamente em DVD por aqui, é baseado no livro publicado com o mesmo título por aqui e que no original se chama “Nick & Norah´s Infinite Playlist”. Teoricamente trata-se de uma obra para adolescentes, mas é possível que alguns pais não concordem muito com isso (já que há muitas menções a sexo, alguns palavrões, os colegas de banda do protagonista são gays). De qualquer forma, tanto filme quanto livro são fantásticos. Neste caso eu vi o filme antes de ler o livro, então a visão se torna um pouco diferente. É a história de dois adolescentes que se conhecem em um show de rock e passam por várias aventuras durante uma noite em Manhattan: Nick é baixista em uma banda e acabou de levar um fora da namorada; Norah é uma colega de classe da ex, que não o conhece pessoalmente, mas admira o gosto musical dele (com base nos CDs que ele gravava para a ex). Aos poucos, durante aquela noite, eles vão descobrindo as (várias) coisas que tem em comum. No livro, cada capítulo é narrado do ponto de vista de um deles, o que por si só já é bem interessante, ainda que a história não fosse boa (e é). No filme isso não acontece, mas mesmo assim as características de cada um são bem nítidas a cada cena. E tem a grande vantagem de ter os protagonistas perfeitos para os papéis: Michael Cera (dos ótimos “Juno” e “Superbad – É Hoje”) e Kat Dennings. RECOMENDO (isso mesmo, em letras garrafais)!!!

 

Mudando um pouco de tema (mas nem tanto), outro livro muito bacana que eu acabei de ler é “O Clube do Filme”, de David Gilmour. O livro já tinha chamado a minha atenção nas livrarias, está há algum tempo nas listas de mais vendidos e uma amiga gostou tanto que ia me emprestar, mas eu não agüentei esperar e comprei de uma vez. O autor é crítico de cinema, fez documentários e outros trabalhos na TV, e o livro é basicamente sobre o relacionamento dele com o filho adolescente. Mais especificamente, é sobre um período de três anos em que pai e filho fizeram um acordo bem inusitado: o garoto largaria a escola com o aval do pai (já que estava indo muito mal e não parecia ter qualquer interesse por nada relativo aos estudos), mas se comprometeria a assistir com o pai pelo menos três filmes por semana. Foi um risco muito grande tomado pelo pai, e ele passa quase que o período todo em dúvida se aquilo havia sido ou não uma boa idéia. Mas eles assistem muitos filmes (de todos os tipos, de clássicos a podreiras, de cultsfranceses a blockbustersamericanos) e muitas outras coisas acontecem enquanto isso. Vale muito a pena ler, seja pelo tocante relacionamento do pai com o filho (e com a ex-mulher, a esposa atual, as namoradas do filho), seja como uma série de comentários nunca pedantes ou pretensiosos sobre filmes de toda espécie. E, pra completar, o livro ainda serviu pra me lembrar que eu sou um cinéfilo de araque, já que não vi muitos filmes ditos “fundamentais” (daí alguns dos DVDs que comprei recentemente).

 

Bom, pra não parecer que só falo coisas boas sobre o que leio e assisto, vou cometer uma heresia: preciso confessar que me esforcei muito, mas não consegui ler até o fim o novo livro de Chico Buarque, “Leite Derramado”. OK, ele escreve no ritmo e na linguagem de seu narrador, um velho à beira da morte, mas mesmo assim o livro é repetitivo demais e um tanto chato. Tá, ele é um compositor e músico genial, e os livros anteriores dele (que eu nunca li) devem ser mesmo obras-primas. E eu sei que pode ser uma blasfêmia o que estou dizendo, mas o que eu posso fazer? Achei “Leite Derramado” um porre. Pronto, falei.

 

Até a próxima.

 

P.S.: Já estava quase esquecendo: finalmente terminei de ler o sétimo Harry Potter. Eu li o livro quase inteiro quando ele foi lançado, mas parei faltando umas 90 páginas porque não queria que terminasse. Mas depois de ver os seis filmes em seguida, não deu pra esperar (mesmo porque se eu não lesse logo, alguém me contaria o final). Então criei coragem e li. Pra não me estender muito (e porque já falei muito de HP aqui), só vou dizer três palavras: triste, angustiante e redentor. E o Snape é o cara.

 

P.S.2: Quanto ao filme “Um Jogo de Vida ou Morte” e à série “Coupling”, meus projetos teatrais atuais justificam ambos. “Game, Set & Match”, baseado no primeiro, encerra sua temporada neste domingo; já a peça baseada na segunda estreará em breve.

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