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Posts Tagged ‘Millenium’

Seguem agora os meus comentários sobre os prêmios de atuação:

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MELHOR ATOR:

– Demián Bichir (A Better Life)

– George Clooney (Os Descendentes)

– Jean Dujardin (O Artista)

– Gary Oldman (O Espião Que Sabia Demais)

– Brad Pitt (Moneyball)

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É inacreditável que essa seja a primeira indicação de Gary Oldman ao Oscar. Pena que ele vai ter que se dar por satisfeito com isso, porque a disputa ao prêmio está bem acirrada, ainda que basicamente entre George Clooney e Jean Dujardin. Qualquer um deles que ganhe será merecido, já que ambos estão ótimos. Clooney vem se especializando em interpretações contidas e recheadas de nuances e vulnerabilidade, como em “Os Descendentes” e nos anteriores “Amor Sem Escalas” e “Conduta de Risco” (foi indicado ao Oscar por todas elas). E poderia ter sido indicado também como coadjuvante esse ano, pelo brilhante retrato de um político idealista mas cheio de defeitos em “Tudo Pelo Poder”. Já Dujardin consegue expressar todos os sentimentos – alegria, amor, raiva, orgulho, entre outros – sem dizer uma única palavra. Isso não é pra qualquer um.

Os outros dois finalistas (Brad Pitt, que mostrou em “Moneyball” algo que vira e mexe é esquecido: que ele é um grande ator; e o mexicano Demián Bichir) mereceram suas indicações, mas poderiam ter sido substituídos por outros. Ewan McGregor, por exemplo, que é provavelmente o ator mais subestimado da atualidade e está incrível em “Toda Forma de Amor” como o filho que enfrenta ao mesmo tempo a morte da mãe, a doença (e a recém-assumida homossexualidade) do pai e um novo amor. Ou Joseph Gordon-Levitt, que emociona e faz rir como um escritor que descobre que tem câncer em “50%”. Ou até Leonardo DiCaprio, que dividiu opiniões mas impressiona em “J. Edgar”. Porém, o grande injustiçado do ano foi Ryan Gosling, que não teve só uma atuação brilhante esse ano, mas TRÊS (“Drive”, “Tudo pelo Poder” e “Amor à Toda Prova”) – a ausência dele entre os finalistas é uma aberração. Aliás, deveria haver uma forma da Academia impedir que um ator que tem mais de uma grande atuação no ano fosse prejudicado por votos divididos, que acabam diminuindo as chances de ganhar uma indicação – a mesma coisa aconteceu com Michael Fassbender, elogiadíssimo em “Shame”, “Jane Eyre” e “Um Método Perigoso”.

Enfim, acho que dá Dujardin, mas pode dar Clooney.

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MELHOR ATRIZ:

– Glenn Close (Albert Nobbs)

– Viola Davis (Histórias Cruzadas)

– Rooney Mara (Millenium – Os Homens Que Não Amavam as Mulheres)

– Meryl Streep (A Dama de Ferro)

– Michelle Williams (Sete Dias com Marilyn)

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Mais acirrada ainda que entre os atores está a disputa entre as atrizes. Meryl Streep e Viola Davis são as favoritas, já que vêm dividindo a maioria dos prêmios. Mas Michelle Williams ganhou o Globo de Ouro e também tem chances. Já Glenn Close pode se dar bem se os votantes se lembrarem que ela já foi indicada cinco vezes e não ganhou nenhuma. Corre por fora injustamente quem eu acho que deveria ganhar, Rooney Mara, brilhante em um papel dificílimo, ainda mais por causa da comparação com a versão sueca de “Girl With the Dragon Tattoo”.

Meryl Streep é um fenômeno, e isso não é novidade. Assistindo “A Dama de Ferro”, um filme mediano, diga-se de passagem, você esquece que ela não é inglesa e esquece até que não é a Margaret Thatcher verdadeira na tela. Impressionante, mesmo. Mas Viola Davis, que faz em “Histórias Cruzadas” a sua primeira protagonista no cinema, tem uma atuação fortíssima – embora eu não ache que ela se destaca tanto assim em meio ao incrível time feminino do filme. Como todo mundo tende a encarar Meryl como “ah, ela já ganhou duas vezes, é indicada todo ano, vamos dar o prêmio pra outra”, é bem provável que Viola leve. E nisso Meryl Streep, a maior atriz da atualidade (e talvez de todos os tempos) não ganha um Oscar desde 82.

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MELHOR ATOR COADJUVANTE:

– Kenneth Branagh (Sete Dias com Marilyn)

– Jonah Hill (Moneyball)

– Nick Nolte (Warrior)

– Christopher Plummer (Beginners – Toda Forma de Amor)

– Max von Sydow (Extremely Loud & Incredibly Close)

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Os coadjuvantes são pelo menos em teoria as barbadas desse ano. Christopher Plummer levou todos os prêmios anteriores ao Oscar, e dificilmente vai perder aqui. E ele merece. Um veterano de 82 anos, adorado e admirado por todos, ele teve sua primeira indicação apenas dois anos atrás por “A Última Estação”, onde interpretava o escritor russo Tolstoi em seus ultimos dias de vida. Dessa vez ele brilhou em “Toda Forma de Amor” fazendo um homem de 70 anos que perde a esposa e decide assumir (e aproveitar ao máximo) a homossexualidade, que reprimiu durante a vida toda. Só que não é só isso: logo depois ele descobre que tem um câncer que provavelmente o matará em pouco tempo. E encara isso com uma disposição impressionante.

Os outros coadjuvantes são bons: Jonah Hill mostra que é mais que um gordinho engraçado, Max Von Sidow emociona como um velho mudo, Nick Nolte tenta reconquistar os filhos que abandonou por ser alcoólatra e Kenneth Branagh tem a honra de interpretar seu grande ídolo, Laurence Olivier. Outras grandes atuações foram deixadas de fora e poderiam ter sido indicadas, como Clooney em “Tudo Pelo Poder”, Gosling por “Amor à Toda Prova”, Albert Brooks e Bryan Cranston em “Drive”, Patton Oswalt em “Young Adult”, Ben Kingsley e Sasha Baron Cohen em “Hugo”, entre outros. Mas nenhum deles chega perto de Plummer, e por isso ele não perde.

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MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

– Bérénice Bejo (O Artista)

– Jessica Chastain (Histórias Cruzadas)

– Melissa McCarthy (Missão: Madrinha de Casamento)

– Janet McTeer (Albert Nobbs)

– Octavia Spencer (Histórias Cruzadas)

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Entre as atrizes a barbada é Octavia Spencer, que vem levando todos os prêmios do ano – embora Jessica Chastain esteja pelo menos tão bem quanto ela em “The Help”. Jessica, aliás, teve o mesmo problema de Ryan Gosling e Michael Fassbender: fez tanto filme e todos tão bem esse ano que quase fica sem indicação – pra quem não lembra, ela também fez “A Árvore da Vida” e está ótima em “The Debt”, ainda inédito no Brasil. Mas pra mim quem deveria mesmo ganhar é a argentina Berenice Bejo, que fez o mesmo que Jean Dujardin em “O Artista” no mínimo tão bem quanto ele (e na verdade deveria ter sido indicada como atriz principal, e não como coadjuvante).

Faltou aqui lembrarem de Carey Mulligan, indicada em 2010 por “Educação” e ótima esse ano em dois papéis bastante diferentes, em “Drive” e “Shame”.

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Fiquei mais de um mês sem escrever aqui, por motivos diversos, mas espero agora poder voltar a postar com mais frequência. Como “welcome back post”, achei que essa imagem seria bem apropriada… Trata-se do poster limitado (vocês vão entender o porquê) de divulgação da versão americana de “Os Homens Que Não Amavam As Mulheres” (chamado nos EUA de “The Girl With the Dragon Tatoo”). Com direção de David Fincher, não dá pra se espantar, né? Check it out:

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Se você leu os livros da trilogia Millenium, do escritor sueco Stieg Larsson (lançados aqui como “Os Homens Que Não Amavam as Mulheres”, “A Menina Que Brincava Com Fogo” e “A Rainha do Castelo do Ar”), ou assistiu pelo menos um dos filmes produzidos na própria Suécia (apenas o primeiro já passou no Brasil e foi recentemente lançado em DVD e Blu-Ray), deve estar curiosíssimo pra ver a versão americana que o diretor David Fincher está preparando – o primeiro filme está previsto para chegar aos cinemas no Natal de 2011. Que o filme será bom não há dúvidas, já que Fincher é craque. A grande questão é se a atriz escolhida por ele para viver a protagonista, a hacker punk bissexual Lisbeth Salander, dará conta do recado, principalmente depois do show que a sueca Noomi Rapace deu nos filmes originais. Bom, ainda vai demorar pra saber como será a atuação dela . Mas já dá pra ter uma ideia pelo menos do visual –  e, a julgar pelas fotos publicadas pela revista W, dá pra ficar animado. Confiram as imagens abaixo. Reconheceu a garota? Não? É Rooney Mara, a Erica Albright de “A Rede Social” (sim, a namoradinha do Mark Zuckerberg que aparece na primeira cena do filme, dando um fora nele). Ela também estará no super aguardado “Sucker Punch – Mundo Surreal”, de Zack Snyder (esse deve chegar aos cinemas mais cedo, no primeiro semestre).

 

Apenas a título de comparação, esta é ela normalmente:

E esta é ela na capa da W:

P.S.: Falando nisso, hoje saiu a notícia de que a viúva de Larsson pode lançar o quarto volume da série, já que supostamente ela ajudava o marido a escrever os livros e ele teria deixado o último episódio quase pronto.

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Livros comprados:
–          “Amsterdam” (Ian McEwan)
–          “Then We Came to the End” (Joshua Ferris)
–          “The Unnamed” (Joshua Ferris)
–          “Invisible” (Paul Auster)
–          “My Name Is Will” (Jess Winfield)
–          “Little Vampire Women” (Louisa May Alcott & Lynn Messina)
–          “Cidadão Cannes” (Gilles Jacob)
–          “Peeps” (Scott Westerfeld)
–          “The Last Days” (Scott Westerfeld)
–          “Uglies” (Scott Westerfeld)
–          “The Luxe” (Anna Godbersen)
 
Livros lidos:
–          “Amsterdam” (Ian McEwan)
–          “Pride/Prejudice” (Ann Herenden) – não concluído
–          “Orgulho e Preconceito” (Jane Austen)

 

Em sua antiga coluna sobre literatura na revista The Believer, Nick Hornby diversas vezes se desculpava por não ter lido muitos livros em determinado período e botava a culpa no futebol – por ser fanático pelo esporte, ele acabava gastando boa parte do seu tempo em frente à TV, principalmente nas fases decisivas do campeonato inglês. Longe de querer me comparar a ele, vou usar a mesma desculpa esse mês. Mesmo não sendo exatamente um fanático por futebol (acompanho os jogos do meu time, torço bastante, mas raramente deixo de fazer alguma coisa pra assistir um jogo), a Copa do Mundo acabou ocupando momentos em que eu normalmente estaria lendo e/ou escrevendo – por exemplo, durante o almoço e no meio da tarde. Logo, culpo a Copa por ter lido tão pouco entre junho e julho – ainda que isso não tenha me impedido de comprar muitos livros, haja vista a listinha acima.

 

Falando nas compras, alguns comentários. Descobri o autor Scott Westerfeld há quase dois anos, quando li o livro “Os Primeiros Dias”, que teoricamente fica na sessão de literatura juvenil das livrarias, mas que poderia perfeitamente estar nas prateleiras de adultos. O livro é tão bom que eu li quase metade dele na própria livraria e terminei em casa no dia seguinte – e, diga-se de passagem, foi um dos livros que me fizeram retomar o hábito de ler compulsivamente. É uma história de vampiros, mas bastante diferente dos Crepúsculos da vida (nada contra esses livros, aliás, dos quais eu também gosto bastante). Aqui, o vampirismo é causado por um vírus que é transmitido via relações sexuais (estão vendo como a classificação como livro juvenil é errada?) e o infectado aos poucos vai perdendo a condição humana, suas lembranças, e acaba por se tornar praticamente um bicho. Como algumas pessoas desenvolvem uma imunidade ao vírus quando infectadas, estas se tornam policiais, responsáveis por caçar os vampiros. O protagonista é um desses caçadores, que é obcecado por encontrar a sua “criadora”, uma vampira que curiosamente não sucumbiu aos sintomas tradicionais da doença, e uma namorada que ele mesmo infectou sem saber. Gostei tanto do livro que comprei agora a edição original em inglês, cujo título é “Peeps” (o apelido pelo qual os infectados são conhecidos). Como o livro fez sucesso, previsivelmente foi lançada uma sequência, “Os Últimos Dias” (ou “The Last Days”); porém, não previsivelmente, a continuação não mostra os mesmos personagens do original algum tempo depois, como se esperaria de uma sequência, mas sim personagens diferentes, um grupo de jovens que se junta pra formar uma banda, ao mesmo tempo em que a doença começa a se alastrar – curiosamente, cada capítulo do livro tem o nome de uma banda obscura admirada pelo autor. Westerfeld lançou depois uma nova série de sucesso, do qual o primeiro livro é “Uglies”, lançado recentemente em português como “Feios”. Como esse eu ainda não li, falo sobre ele em outra ocasião.

 

Um tempinho atrás eu falei de uma nova febre que começou no ano passado no mundo literário, os “mash-ups” de grandes clássicos com histórias de terror e/ou ficção-científica. Tudo teve início com o sucesso de “Pride and Prejudice and Zombies”, que coloca o romance de Elizabeth Bennet e Mr. Darcy em meio a uma epidemia que transforma as pessoas em zumbis na Inglaterra (este eu comprei, mas ainda não li). Depois vieram “Sense and Sensibility and Sea Monsters” (também baseado em obra de Jane Austen), “Abraham Lincoln: Vampire Hunter” (com o presidente dos EUA caçando vampiros), “Dawn of the Undead” (uma sequência para a história dos zumbis), “Jane Slayre” (em que a heroína de Emily Brönte também é uma caçadora de vampiros), “Eu, Vampira” (no qual a própria Jane Austen vira uma dentuça) e o mais recente “Android Karenina” (com a mocinha de Tolstoi como um robô). Dentre todas as “novidades”, eu escolhi “Little Vampire Women”, que transforma as “Adoráveis Mulheres” de Louisa May Alcott em vampiras. Será uma bomba ou será que a criatividade funciona? O veredicto na próxima coluna (hopefully…).

 

Já que mencionei a inglesa Jane Austen, passo para o assunto seguinte. Como estou preparando uma adaptação teatral para “Orgulho e Preconceito”, reli a obra original e aproveitei pra ler uma nova versão que foi lançada recentemente, “Pride/Prejudice”, de Ann Herendeen. O novo livro pretende contar a mesma história, porém focando em aspectos que não são mostrados no original. Estava bastante empolgado para lê-lo, mas confesso que já estou com um nó na garganta e não sei se conseguirei ler até o final; logo no primeiro capítulo a autora sugere de forma um tanto explícita que a relação de amizade entre Darcy e Charles Bingley na verdade escondia um romance carnal entre os dois, e que Darcy se apaixonou por Elizabeth por ela ter características raramente encontradas nas mulheres da época. Não quero chegar ao ponto de dizer que isso é uma heresia, mas tenho que admitir que fiquei um pouco chocado. Variação por variação, talvez seja melhor ficar com os zumbis.

 

Por fim, o grande livro do mês e que eu recomendo é “Amsterdam”, do inglês Ian McEwan (mais conhecido aqui por “Atonement”, que virou o filme “Desejo e Reparação”, indicado ao Oscar em 2007 – o livro em português se chama simplesmente “Reparação”). “Amsterdam” conta a história de três homens que em algum momento de suas vidas se envolveram com a mesma mulher, e cuja morte abre o livro e os reúne. Dois deles, Vernon, jornalista e editor de um jornal em decadência, e Clive, compositor conceituado em busca da obra que o tornará imortal, são grandes amigos. O outro, Julian, é um político de prestígio que está em vias de se candidatar ao cargo de Primeiro-Ministro, e que os outros dois odeiam. A morte da amante (que sofreu de uma doença degenerativa que a deixou praticamente inválida nos últimos momentos) faz com que os amigos façam um pacto um tanto quanto sinistro; logo em seguida, surgem documentos que podem prejudicar o terceiro (o político), mas cuja utilização é vista por ambos de forma oposta. A história se desenrola daí, com Vernon tentando elevar as vendas do seu jornal a qualquer custo e Clive buscando inspiração para compor a sinfonia que será utilizada na abertura do Millenium Dome (o complexo gigantesco que foi inaugurado em Londres na virada do século XX para o XXI). O mais legal é que McEwan trata de temas que poderiam ficar maçantes, como os meandros do jornalismo e detalhes técnicos da música, com tal leveza que não dá nem pra perceber que se está lendo sobre assuntos complexos. E o suspense vai aumentando até culminar em uma sequência final que acontece justamente na cidade-título. Não é à toa que o livro foi um grande sucesso, ganhou o Booker Prize e é considerado um clássico moderno.

 

Fico por aqui, prometendo não demorar tanto pra escrever a próxima “coluna literária” (quanta pretensão…) e informando que devo finalmente ler o segundo livro da série Millenium, do sueco Stieg Larsson, agora que vi o primeiro filme (aliás, um filmaço que merece um texto só pra ele).

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(originalmente publicado em 10/12/2009)

Livros comprados:
– The Magicians (Lev Grossman)
– A Menina que Brincava com Fogo (Stieg Larsson)
– A Rainha do Castelo de Ar (Stieg Larsson)
– Shakespeare Wrote For Money (Nick Hornby)
– Juliet, Naked (Nick Hornby)
– An Education (Nick Hornby)
– Pride and Prejudice and Zombies (Jane Austen/Seth Grahame-Smith)
– The Book of Dave (Will Self)
– Lush Life (Richard Price)
– Peeps (Scott Westerfeld)
– Mere Anarchy (Woody Allen)
Livros lidos:
– Beber, Jogar, F@#er (Andrew Gottlieb)
– Os Homens que Não Amavam as Mulheres (Stieg Larsson)
– Shakespeare Wrote For Money (Nick Hornby)
– An Education (Nick Hornby)
– Lua Nova (Stephenie Meyer)
– Formaturas Infernais (vários autores)
– The Book of Dave (Will Self) – não concluído
– The Magicians (Lev Grossman) – não concluído

 

Essa semana eu estava em um ônibus e notei que o cobrador lia nada menos que “Crime e Castigo”, do Dostoievski. Achei o máximo. Mas ao mesmo tempo também fiquei envergonhado, já que nunca li este livro (embora já tenha pensado em lê-lo diversas vezes), nem inúmeros outros clássicos da literatura mundial. Eu me orgulho de ser um leitor quase compulsivo (dá pra notar pelas minhas listas de livros comprados), mas se parar pra pensar em quantos “clássicos da literatura mundial” eu li, provavelmente não preencherei os dedos das duas mãos. Vejamos: “A Christmas Carol”, do Charles Dickens (que é um conto, então vale por meio)… “Os Três Mosqueteiros”, do Alexandre Dumas… “Alice no País das Maravilhas”, do Lewis Carroll (esse eu li várias vezes, então pode até contar por dois)… Algumas peças do Shakespeare e do Oscar Wilde… ”O Médico e o Monstro”, do Robert Louis Stevenson… Ah, eu li “Hamlet”, “Moby Dick”, “Grandes Esperanças”, “O Morro dos Ventos Uivantes” e outros em quadrinhos, numa coleção fantástica que a Abril lançou há séculos e que eu guardo até hoje (alguém lembra?)… Fora isso, acho que só alguns clássicos brasileiros, daqueles que a gente é obrigado a ler na escola e que raramente gosta, justamente por ser obrigação (se bem que eu acho que o único livro escolar que eu realmente odiei foi “Iracema”). É, acho que tá na hora de parar de ler só literatura pop moderna e partir pra uma jornada pelos clássicos. Ano que vem, prometo.

 

Enquanto isso, vou falar um pouco do que ando lendo efetivamente. Deu pra notar que a lista de livros comprados está bem maior do que deveria. Claro que o fato de eu ter ficado um tempão sem escrever aqui ajudou a acumular muita coisa, mas eu confesso que tenho andado um pouco mais compulsivo que o normal (e o fato de dar aula todos os dias da semana ao lado dos shoppings Morumbi e Market Place não colabora muito, já que ambos concentram os três grandes templos do consumismo literário, musical e cinematográfico da cidade: Livraria Cultura, Saraiva Mega Store e FNAC). De qualquer forma, seria bom ter tempo pra ler tudo, o que é humanamente impossível, então é melhor eu dar uma maneirada mesmo (ou então arrumar alguém que me dê os livros de graça – alguém?).

 

Comprei três livros do Nick Hornby neste período. Um deles, “Juliet, Naked”, é o mais recente e eu ainda não consegui ler (falei sobre ele alguns textos atrás e falarei depois que o ler). O segundo é o roteiro do filme “An Education”, aquele que ganhou título em português de “Sedução” e que eu assisti na Mostra e que é ótimo e que deve concorrer ao Oscar e que já começou a ganhar alguns prêmios por aí (de novo, vejam textos anteriores sobre isso). Além do roteiro em si, Hornby conta no livro como foi o processo de transformar a obra original em um filme (o roteiro é baseado nas memórias escritas por Lynn Barber pra revista Granta e a personagem principal do filme é baseada nela), desde convencer alguém a produzi-lo, adaptar o roteiro, achar o elenco certo, as filmagens, a passagem do filme pelo festival de Sundance. De quebra, ainda tem um epílogo que acabou não entrando na versão final do filme. Por fim, o terceiro, “Shakespeare Wrote For Money”, é a segunda e última compilação dos textos que ele escreveu pra revista Believer em 2006 e 2007, e que inspiraram este blog.

 

Continuando nos autores que se repetem na lista, todo mundo já deve ter visto nas livrarias, mesmo de relance, uma série de livros de capa preta cobertas com chamas alaranjadas. Trata-se da trilogia Millenium, do sueco Stieg Larsson, que anda fazendo um baita sucesso no mundo todo, e por aqui não é diferente. Eu comprei o primeiro deles, “Os Homens que Não Amavam as Mulheres”, um tempinho atrás, comecei a ler na época (mais precisamente em agosto), mas parei (não por não estar gostando, mas porque eu tenho o péssimo hábito de ler vários livros ao mesmo tempo e eventualmente algum acaba prejudicado). Retomei agora e não sei como conseguir parar na primeira vez. Na verdade eu provavelmente não tinha chegado ao “point of no return”, que é aquele trecho de um livro em que ele te fisga de tal maneira que você não consegue mais parar de ler até terminá-lo. Esse ponto varia de livro pra livro; raramente é no começo, às vezes é na metade, normalmente é só mais perto do final (e claro que um livro pode nem ter esse ponto, o que provavelmente significa que ele não é lá essas coisas). Neste caso, o “point of no return” é um pouco antes da metade. O protagonista é um jornalista que cobre o mundo financeiro e é editor de uma revista, a Millenium do título; no início do livro ele está sendo processado por um magnata a quem acusou de corrupção, e por causa disso acaba obrigado a se afastar da revista por uns tempos. Como não tem nada pra fazer, ele topa escrever a biografia de uma das famílias mais poderosas da Suécia e ao mesmo tempo investigar o desaparecimento de uma garota ocorrido mais de quarenta anos atrás. Paralelamente, há uma outra protagonista, uma hacker de vinte e poucos anos e um tanto esquisita que trabalha pra uma empresa de segurança esmiuçando a vida dos outros. Logicamente em um determinado momento do livro as trajetórias dos dois personagens se encontram e eles passam a trabalhar juntos. Contar mais vai estragar, mas basta dizer que o livro tem ação, suspense, sexo, violência, personagens marcantes, enfim, tudo que uma boa história precisa (e deve) ter. E as sequências não devem ser diferentes. Curiosidades: o autor morreu logo depois de publicação do terceiro livro em seu país natal, aos cinqüenta e pouco anos. O primeiro livro já tem uma versão cinematográfica, produzida na Suécia, e que passou aqui na Mostra de Cinema de São Paulo deste ano (eu tentei assistir, mas a sessão do dia foi cancelada e eu acabei não conseguindo ir a outra). Mas não estranhem se logo mais pintar a versão americana.

 

Outro sucesso literário que todo mundo certamente no mínimo ouviu falar foi “Comer, Rezar, Amar”, em que a autora Elizabeth Gilbert conta a jornada espiritual que viveu na Índia, Tibet e afins (e que, adivinhem, vai virar filme no ano que vem com ninguém menos que Julia Roberts no papel principal). Bom, Andrew Gottlieb, roteirista da TV americana, resolveu criar uma quase sátira ao outro livro, e escreveu “Beber, Jogar, F@#%r” (sim, a última palavra é exatamente o que você está pensando). Nele, o protagonista, depois de levar um pé na bunda da esposa, resolve largar o empregão em Wall Street e se jogar em uma jornada de um ano pelo mundo dos prazeres. Passa quatro meses na Irlanda enchendo a lata, depois vai pra Las Vegas torrar a grana nos mega-cassinos e por fim vai pra Tailândia se esbaldar com você sabe o que. Esse é daqueles livros em que o “point of no return” (vide parágrafo anterior) é logo no começo, ou seja, eu o li praticamente de uma vez só. O único porém é que o final é um pouco meloso e “clichesíssimo”, mas não chega a estragar a delícia que é ler o livro.

 

E já que estou falando em fenômenos literários, não há como não falar esse mês da série “Crepúsculo”. Eu li o primeiro livro logo que ele foi lançado, ainda em inglês (ou seja, bem antes do filme). Achei interessante, descobri que fariam o filme, então decidi esperar pra ler as continuações. Veio o primeiro filme no ano passado, achei bacaninha e comecei a ler o segundo livro, “Lua Nova”. Parei no quinto capítulo, mais ou menos – muita lenga lenga pro meu gosto. Só que eu não queria assistir o filme novo sem ler o livro antes, então decidi enfrentá-lo mais uma vez. Dessa vez foi mais fácil, afinal eu já sabia que o tal do Jacob viraria um lobisomem, que o Edward iria a Veneza enfrentar outros vampiros – mas mesmo assim demorei pra chegar ao fim. Então fui ao cinema e – SURPRESA! O filme dá um banho no livro, tem muito mais ritmo, não perde tempo com o suplício da protagonista Bella; pode não ter as cenas belas e poéticas do primeiro filme, mas é bem mais coeso e amarrado – claro que ajuda o fato de não precisar introduzir os personagens -, sem falar que a produção é muito superior (já que dessa vez havia grana a rodo pra fazer o que bem entendessem). Deu até vontade de arriscar o terceiro livro, “Eclipse”, que chega aos cinemas no meio do ano que vem. Vai entrar na fila.

 

Ah, e ainda na onda vampiresca, li também a coletânea de contos “Formaturas Infernais” – cujo título original, “Prom Nights From Hell”, é bem mais divertido. São cinco contos de autoras da moda: vai da própria Stephenie Meyer da série “Crepúsculo” até a veterana Meg Cabot (dos “Diários da Princesa” e outros clássicos da literatura teen). O livro tem altos e baixos, mas um dos contos é tão bacana que eu até transformei em uma peça – “The Corsage”, de Lauren Myracle, sobre uma menina que visita uma cartomante pra saber se o menino de quem gosta a convidará ao baile de formatura e acaba achando um “corsage” (aquele arranjo de flores que os meninos dão pras meninas nesses bailes) que realiza desejos.

 

Bom, fico por aqui porque senão nunca vou publicar este texto. Até a próxima.

 

P.S.: Pra quem ficou curioso com o título “Pride and Prejudice and Zombies”, eu explico: alguém teve a idéia de misturar Jane Austen e monstros, por algum motivo isso deu certo, e agora virou moda. Já existe também “Sense and Sensibility and Sea Monsters”. Como ainda não li nenhum dos dois, não posso dizer se a bizarrice funciona ou não. Mas aguardem as próximas colunas (aliás, acabei de ler aqui que a versão cinematográfica dos zumbis já está a caminho, com Natalie Portman no papel principal).

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