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Posts Tagged ‘Demián Bichir’

Seguem agora os meus comentários sobre os prêmios de atuação:

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MELHOR ATOR:

– Demián Bichir (A Better Life)

– George Clooney (Os Descendentes)

– Jean Dujardin (O Artista)

– Gary Oldman (O Espião Que Sabia Demais)

– Brad Pitt (Moneyball)

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É inacreditável que essa seja a primeira indicação de Gary Oldman ao Oscar. Pena que ele vai ter que se dar por satisfeito com isso, porque a disputa ao prêmio está bem acirrada, ainda que basicamente entre George Clooney e Jean Dujardin. Qualquer um deles que ganhe será merecido, já que ambos estão ótimos. Clooney vem se especializando em interpretações contidas e recheadas de nuances e vulnerabilidade, como em “Os Descendentes” e nos anteriores “Amor Sem Escalas” e “Conduta de Risco” (foi indicado ao Oscar por todas elas). E poderia ter sido indicado também como coadjuvante esse ano, pelo brilhante retrato de um político idealista mas cheio de defeitos em “Tudo Pelo Poder”. Já Dujardin consegue expressar todos os sentimentos – alegria, amor, raiva, orgulho, entre outros – sem dizer uma única palavra. Isso não é pra qualquer um.

Os outros dois finalistas (Brad Pitt, que mostrou em “Moneyball” algo que vira e mexe é esquecido: que ele é um grande ator; e o mexicano Demián Bichir) mereceram suas indicações, mas poderiam ter sido substituídos por outros. Ewan McGregor, por exemplo, que é provavelmente o ator mais subestimado da atualidade e está incrível em “Toda Forma de Amor” como o filho que enfrenta ao mesmo tempo a morte da mãe, a doença (e a recém-assumida homossexualidade) do pai e um novo amor. Ou Joseph Gordon-Levitt, que emociona e faz rir como um escritor que descobre que tem câncer em “50%”. Ou até Leonardo DiCaprio, que dividiu opiniões mas impressiona em “J. Edgar”. Porém, o grande injustiçado do ano foi Ryan Gosling, que não teve só uma atuação brilhante esse ano, mas TRÊS (“Drive”, “Tudo pelo Poder” e “Amor à Toda Prova”) – a ausência dele entre os finalistas é uma aberração. Aliás, deveria haver uma forma da Academia impedir que um ator que tem mais de uma grande atuação no ano fosse prejudicado por votos divididos, que acabam diminuindo as chances de ganhar uma indicação – a mesma coisa aconteceu com Michael Fassbender, elogiadíssimo em “Shame”, “Jane Eyre” e “Um Método Perigoso”.

Enfim, acho que dá Dujardin, mas pode dar Clooney.

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MELHOR ATRIZ:

– Glenn Close (Albert Nobbs)

– Viola Davis (Histórias Cruzadas)

– Rooney Mara (Millenium – Os Homens Que Não Amavam as Mulheres)

– Meryl Streep (A Dama de Ferro)

– Michelle Williams (Sete Dias com Marilyn)

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Mais acirrada ainda que entre os atores está a disputa entre as atrizes. Meryl Streep e Viola Davis são as favoritas, já que vêm dividindo a maioria dos prêmios. Mas Michelle Williams ganhou o Globo de Ouro e também tem chances. Já Glenn Close pode se dar bem se os votantes se lembrarem que ela já foi indicada cinco vezes e não ganhou nenhuma. Corre por fora injustamente quem eu acho que deveria ganhar, Rooney Mara, brilhante em um papel dificílimo, ainda mais por causa da comparação com a versão sueca de “Girl With the Dragon Tattoo”.

Meryl Streep é um fenômeno, e isso não é novidade. Assistindo “A Dama de Ferro”, um filme mediano, diga-se de passagem, você esquece que ela não é inglesa e esquece até que não é a Margaret Thatcher verdadeira na tela. Impressionante, mesmo. Mas Viola Davis, que faz em “Histórias Cruzadas” a sua primeira protagonista no cinema, tem uma atuação fortíssima – embora eu não ache que ela se destaca tanto assim em meio ao incrível time feminino do filme. Como todo mundo tende a encarar Meryl como “ah, ela já ganhou duas vezes, é indicada todo ano, vamos dar o prêmio pra outra”, é bem provável que Viola leve. E nisso Meryl Streep, a maior atriz da atualidade (e talvez de todos os tempos) não ganha um Oscar desde 82.

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MELHOR ATOR COADJUVANTE:

– Kenneth Branagh (Sete Dias com Marilyn)

– Jonah Hill (Moneyball)

– Nick Nolte (Warrior)

– Christopher Plummer (Beginners – Toda Forma de Amor)

– Max von Sydow (Extremely Loud & Incredibly Close)

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Os coadjuvantes são pelo menos em teoria as barbadas desse ano. Christopher Plummer levou todos os prêmios anteriores ao Oscar, e dificilmente vai perder aqui. E ele merece. Um veterano de 82 anos, adorado e admirado por todos, ele teve sua primeira indicação apenas dois anos atrás por “A Última Estação”, onde interpretava o escritor russo Tolstoi em seus ultimos dias de vida. Dessa vez ele brilhou em “Toda Forma de Amor” fazendo um homem de 70 anos que perde a esposa e decide assumir (e aproveitar ao máximo) a homossexualidade, que reprimiu durante a vida toda. Só que não é só isso: logo depois ele descobre que tem um câncer que provavelmente o matará em pouco tempo. E encara isso com uma disposição impressionante.

Os outros coadjuvantes são bons: Jonah Hill mostra que é mais que um gordinho engraçado, Max Von Sidow emociona como um velho mudo, Nick Nolte tenta reconquistar os filhos que abandonou por ser alcoólatra e Kenneth Branagh tem a honra de interpretar seu grande ídolo, Laurence Olivier. Outras grandes atuações foram deixadas de fora e poderiam ter sido indicadas, como Clooney em “Tudo Pelo Poder”, Gosling por “Amor à Toda Prova”, Albert Brooks e Bryan Cranston em “Drive”, Patton Oswalt em “Young Adult”, Ben Kingsley e Sasha Baron Cohen em “Hugo”, entre outros. Mas nenhum deles chega perto de Plummer, e por isso ele não perde.

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MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

– Bérénice Bejo (O Artista)

– Jessica Chastain (Histórias Cruzadas)

– Melissa McCarthy (Missão: Madrinha de Casamento)

– Janet McTeer (Albert Nobbs)

– Octavia Spencer (Histórias Cruzadas)

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Entre as atrizes a barbada é Octavia Spencer, que vem levando todos os prêmios do ano – embora Jessica Chastain esteja pelo menos tão bem quanto ela em “The Help”. Jessica, aliás, teve o mesmo problema de Ryan Gosling e Michael Fassbender: fez tanto filme e todos tão bem esse ano que quase fica sem indicação – pra quem não lembra, ela também fez “A Árvore da Vida” e está ótima em “The Debt”, ainda inédito no Brasil. Mas pra mim quem deveria mesmo ganhar é a argentina Berenice Bejo, que fez o mesmo que Jean Dujardin em “O Artista” no mínimo tão bem quanto ele (e na verdade deveria ter sido indicada como atriz principal, e não como coadjuvante).

Faltou aqui lembrarem de Carey Mulligan, indicada em 2010 por “Educação” e ótima esse ano em dois papéis bastante diferentes, em “Drive” e “Shame”.

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